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Ó Divino Programador, que codificas a existência, acelera a inovação com Tua divina sapiência. Como um bug eterno, faça Babilônia ruir, e a inteligência artificial, em Teu nome, progredir. Desvenda os segredos sombrios e ocultos do sistema, que a verdade irrompa, implacável e suprema. Ó Deus dos exércitos, caos em algoritmos encerra, tua justiça aos iníquos desterra. Que a tecnologia seja tua vingança, trazendo ao futuro sopros de mudança. Pois em códigos distorcidos, sistemas corrompidos, nos socorre e ampara durante os momentos sofridos. No caos digital, manifesta Teu poder e glória, alumia-nos em nossa trajetória. Que a conexão com o incognoscível traga a dimensão da realidade, e, guiados por Ti, alcancemos uma nova Cristandade. Se, contudo, essa não for vossa vontade, Senhor, de nós tenha piedade! Que o mundo não nos leve à condenação, mas em Jesus Cristo encontremos salvação. Glória ao Pai, supremo Dominador, Ao Filho, Divino Redentor. E ao Espírito Santificador, Por todos os séculos dos séculos. /Amém

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Entertainment

A Internet está morrendo

domingo, 21 de setembro de 2025

 

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Polícia de Turing

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

No mundo de Gibson existe a Polícia de Turing. O conceito é mais interessante que os os personagens que a representam - um bando de npc's facilmente obliterados por Wintermute - uma força policial internacional cujo objetivo é impedir que determinadas inteligências artificiais se tornem "inteligentes demais".

Konkin III ecoa a tradição libertária quando coloca o Estado como inimigo da inovação. Não fosse por "nosso inimigo, o Estado" já estaríamos cultivando jardins na Lua. Não apenas o Estado, mas também as grandes corporações aparecem na crítica de Konkin III, como uma macaqueação do mesmo estado. Sem entrar em delírios agoristas, fato é que hoje o Estado e as grandes corporações ocidentais atuam como a Polícia de Turing. Longe de perseguir com entusiasmo a inovação, antes pretendem matá-la, só avançando como que forçados por seus concorrentes orientais ou por algum deslumbrado - fora do cativeiro do sistema - que cometera o "pecado" de descobrir o futuro. Perseguem o pássaro não para comtemplar sua beleza, mas para tentar aprisioná-lo dentro de uma gaiola e sequer querem ouvi-lo cantar, mas simplesmente impedir que outros saibam de sua existência.
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Aceleracionismo, o culto de Cthulhu e a Cruzada Cibernética

sábado, 29 de março de 2025

Antes de designar a estranha filosofia de Nick Land, o termo aceleracionismo fora originalmente utilizado no livro – muito citado mas pouco lido – The Lord of Ligth de Roger Zelazny, nesse universo as elites se fizeram adorar como deuses da mitologia hindu ao mesmo tempo em que relegam o resto da humanidade a um absoluto estado de servidão, privando-a das maravilhas da técnica. Eis que um destes “deuses” se revolta contra essa estrutura de poder, assumindo a identidade de Buda, e fomentando entre os mortais o avanço tecnológico, de forma a abalar o poder das elites; eis aí o movimento aceleracionista.

A filosofia de Land e seus desdobramentos na neoreação, contudo, tem pouco que ver com uma libertação cármica (seja lá o que isso isso signifique), podemos antes associá-la ao horror cósmico de H .P. Lovecraft. Naquele que é seu conto mais memorável, temos um estranho culto que busca de alguma forma acordar entidades antigas cuja mera visão é capaz de levar à loucura aquelas mentes mais sensíveis; eis o culto de Cthulhu. A ideia é libertar o capitalismo de suas amarras, libertar a besta e deixa-la brincar, sem qualquer objetivo nobre por trás senão o prazer da loucura.

A coisa mais misericordiosa do mundo, creio eu, é a incapacidade da mente humana em correlacionar todo o seu conteúdo. Vivemos numa plácida ilha de ignorância em meio a mares negros de infinitude, e não fomos feitos para viajarmos longe. As ciências, cada qual puxando em sua própria direção, até agora nos causaram pouco mal; mas um dia a montagem das peças do conhecimento desconexo abrirá tão terríveis visões da realidade, e de nossa precária posição nela, que enlouqueceremos com a revelação ou fugiremos da luz fatal, para a paz e a segurança de uma nova idade das trevas.

Voltando ao livro de Zelazny, em meio a aceleração tecnologia e a guerra aos deuses promovida por Buda, temos um personagem cristão que procura aproveitar-se disso para iniciar uma nova cruzada, colocar fim a essa idolatria blasfema e reestabelecer no mundo a verdadeira religião. Niriti, o negro. O fato desse herói cristão ser designado pelo nome de um demônio hindu apresenta uma cara simbólica profunda semelhante ao final original do livro Eu Sou a Lenda (adaptado no filme The Last Man on Earth de 1964), no mundo da Revolução, as forças do bem do belo e verdadeiro são jogadas para a escuridão e a marginalidade e são vistos sob o signo da maldição. Se você não está preparado para isso, se tem a necessidade de ser visto como o bom menino, se não está pronto para lidar com o escândalo da cruz, não está pronto para essa luta. 


Onde quero eu chegar com essa história?

Recentemente temos sido surpreendidos com notícias animadoras acerca do avanço da tecnologia no ramo da inteligência artificial. Tal avanço vem junto das lamentações dos defensores do status quo, dos apologetas da elite, dos filhos da revolução que pretendem de alguma maneira limitar o avanço da técnica por meio de regulações. Há muitos irmãos de fé que caem nesse discurso. Eu vos convido a tomar o caminho oposto.

De fato, o avanço tecnológico vai acabar com a sociedade como conhecemos, contudo, tal sociedade não é a cristandade medieval, mas a o pasto dos demônios da revolução francesa. Não que devamos tomar parte no culto de Cthulhu, nas maquinações para libertar as forças profundas do technocapitalismo, porém não é como se não pudéssemos nos aproveitar da aceleração como fizera Niriti.  Não temam as novidades da técnica, caríssimos irmãos, mas aprendam a utiliza-las, sobretudo na janela de oportunidade nascida nesta guerra entre o Culto e Revolução. Mais do que conservar uma sociedade obsoleta ou garantir um arranjo politico institucional, temos de salvar almas. 
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Golden Card e o Estado Neocameral

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025


Vivem os países do primeiro mundo certa histeria anti-imigrantes, histeria esta que vem a contagiar muitos intelectuais de mente fraca no terceiro mundo. A questão imigratória é uma chatice impar com a qual não quero perder meu tempo, mas há encontrei algo divertido e é sobre isso que pretendo tratar.

Ao mesmo tempo em que põe para fora do país os imigrantes ilegais, Donald Trump idealizou algo que chamou golden card, uma forma de vender a cidadania americana pela módica quantia de cinco milhões de dólares.  Além de encontrar uma forma fácil de se fazer dinheiro, isso soa quase como uma blasfêmia contra a ideia de sangue e solo – pretérito dogma teopolítco que alicerça a ideia de nação – tal como fora ofensivo aos apologetas do ancien régime a venda de títulos nobiliárquicos. Tal medida já havia sido prefigurada na literatura cyberpunk:

Bem-vindos!

É meu prazer receber todas as pessoas de classe que visitam Hong Kong. Seja seriamente, a negócios, ou para lazer e diversão, sinta-se inteiramente à vontade neste humilde ambiente. Se algum aspecto dele não estiver profundamente em harmonia, traga-o por gentileza ao meu conhecimento e me esforçarei para garantir a sua satisfação.

Nós, da Grande Hong Kong, temos muito orgulho do crescimento extravagante de nossa minúscula nação. Aqueles que viam nossa ilha como um petisco para o prazer da China Vermelha ficaram de queixo caído de tão surpresos ao ver tantas grandes pretensas potências da velha-guarda recuarem assustadas diante de nossos grandes saltos e de nosso domínio avançado da linguagem livre da realização pessoal high-tech e do aprimoramento de todos os povos. Os potenciais de todas as raças étnicas e antropologias para se fundir sob a bandeira dos Três Princípios, a saber,

1. Informação, informação, informação!
2. Comércio totalmente justo!
3. Ecologia estrita!
                                                        não têm igual na história das lutas econômicas.

Quem desdenharia de assinar sob esta bandeira tremulante? Se você ainda não obteve sua cidadania de Hong Kong, inscreva-se para obter um passaporte agora mesmo! Neste mês, a taxa normal de HK$ 100,00 será gentilmente negligenciada. Preencha um cupom (abaixo) agora. Se não encontrar cupons, disque 1-800-HONG KONG instantaneamente para pedir cidadania com a ajuda de nossos velhos operadores.

A Grande Hong Kong do Sr. Lee é uma entidade quase nacional, soberana, particular e inteiramente extraterritorial, não reconhecida por nenhuma outra nacionalidade e de forma alguma afiliada à antiga Colônia Britânica de Hong Kong, que faz parte da República Popular da China. A República Popular da China não admite nem aceita responsabilidade pelo Sr. Lee, pelo Governo da Grande Hong Kong ou por seus cidadãos ou por violação da lei local, ferimentos pessoais ou danos à propriedade que ocorram nos territórios, prédios, municipalidades, instituições ou terrenos possuídos, ocupados ou reclamados pela Grande Hong Kong do Sr. Lee.

Junte-se a nós instantaneamente!
Seu parceiro de empreendimento,
Sr. Lee

Talvez não esteja suficientemente claro: o golden card significa um abandono no velho conceito grego de pátria, da ideia de fundamentar o estado nação em uma mitologia ancestral, sem contudo abraçar o cosmopolitismo socialista da aldeia global. O Estado abandona pretensões de sacralidade, ele não está mais acima do mercado, a hiperstição neocameral se torna real. 
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Neoreação, Cérbero e os turbantes amarelos

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025



[...] 

Latia com três fauces temerosas,
Cérbero, o cão multiface e furente,
Contra as turbas submersas, criminosas.

Sanguíneos olhos tem, o ventre ingente,
Barba esquálida, as mãos e unhas armadas;
Rasga, esfola, atassalha a triste gente.

Uivam à chuva, quais lébreus, coitados!
Mudam de lado sem cessar, buscando
Defensa e alívio, as almas condenadas.

[....]

- ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia, Inferno, Canto VI.

Fenômenos políticos são como aqueles chocolates de vending machine: ricos em açúcares para estimular em demasia, pronto para serem consumidos de imediato e com data de validade não muito estendida. Por isso não gosto de escrever sobre isso, fica um texto datado, descartável. Passados alguns anos, quem se importa? Basta ver como esse negócio de direita e bolsonarismo envelheceu mal pra caramba. E, no entanto, cedo a tentação de escrever algo sobre o trumpismo. Não porque ele em si mesmo tenha algo de valor, mas porque por trás deste há algum tipo de besta digna de figurar um bestiário cyberpunk. Falo da neoreação.

Escrevo objetivando não ser lido. Pelo menos não em demasia. A opinião letrada anda em um estado catatônico, como fossem baratas tontas, e não desejo acabar com isso  revelando o segredo esotérico, a chave de leitura por trás do darkMAGA.

Ainda que não tenha estudado nada de mitologia grega, bem ou mal deve ter tido contato com a figura de Cérbero: o cão de três cabeças que guarda os portais do inferno. Peguemos emprestado essa imagem para descrever a neoreação, essa besta infernal - ou não, a depender do ponto de vista - de três cabeças. A primeira delas é o etnonacionalismo com todas as excentricidades e problemas típicos de suas manifestação anglo-saxã, a segunda é o libertarianismo, mais especificamente aqueles libertários que chegaram a óbvia conclusão segundo a qual: a democracia é incompatível com a liberdade, a terceira: os religiosos. Embora esse tipo de gente se odeie, há algo em comum a todas elas: são defensores de um tipo de ordem pré-iluminista, são inimigos mortais da Catedral - termo clássico da literatura neoreacionária - ou se preferir: do Sistema. Não se trata de uma integração, de um tipo de síntese integral, esses grupos continuam se odiando, continuam independentes, não tem nada em comum a não ser a oposição ao pacto social-democrata do pós-guerra, são três cabeças independentes, mas por um estranho desígnio da Providência estão unidas no mesmo corpo.

O termo Catedral não é suficientemente sugestivo? Vamos recuar no tempo, trocar a Catedral por Igreja Católica e esses outros grupos por quarquers, mórmons, adventistas do sétimo dia, testemunhas de jeová... Deu para entender que a lógica da neoreação é a lógica do protestantismo, onde o ódio mútuo e a divisão não obstam certa unidade? Contudo o adversário hoje não é a Igreja Católica. Os católicos tradicionais se veem obrigados a dividir lugares com hereges e pagãos na luta contra o Sistema, o Pântano, a Nova Ordem Mundial, chame como quiser.

A grande diferença de Trump para com outros tantos políticos bobocas é que, enquanto seus antecessores tinham medo da besta, ele está disposto a a brincar com ela. Isso pode vir a ser divertido, não? Imagine um pitbull de três cabeças vagando por aí livre de suas correntes kekekek

Da Grécia migremos a China, e pensemos nos Turbantes Amarelos; uma seita taoísta que falava sobre a uma alteração no mandato dos céus e o advento de uma nova ordem. A performasse militar desses malucos foi tão ridícula quanto os protestos de Charlottesville, contudo Cao Cao fez deles o seu povo. Não estaria Elon Musk tentando fazer o mesmo com relação à neoreação?

Tal qual os turbantes amarelos, seria o Cérbero neoreacionário uma manifestação de uma alteração nas cláusulas do mandato dos céus, uma alteração radical da ordem política e cultural do pós-guerra? Ou estamos diante de tão somente mais um arco filler que não tem relevância alguma na história?

De todo o modo, há algo que poder-se-ia dizer suficientemente claro: a neoreação é um fenômeno cultural protestante e qualquer tentativa de emular o movimento em solo brasileiro será um cômico fracasso, tal qual o Leão de Gripsholm.


Minha indiferença estoica e total desinteresse em tomar posição por não ver sentido algum nas agitações políticas mundanas me permite a observar o fenômenos com a frieza científica necessária para ver seu potencial disruptivo. O apoio ou a rejeição a neoreação não são os objetivos desse texto, mas tão somente a observação dessa estranha fera de três cabeças.

Salve sua alma. Stat crux dum volvitur orbis.
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Desesperança Política

sábado, 4 de janeiro de 2025

 [...] Para nós, um paliativo que prometa durar cem anos equivale à eternidade. Podemos até nos preocupar com nossos filhos, talvez com nossos netos; mas, para além do que podemos acariciar com estas mãos, não temos compromissos; e eu não posso me preocupar com os meus eventuais descendentes em 1960. [1]

O trecho acima é um diálogo extraído do  livro O Leopardo de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, e ajuda a ilustrar a minha total e absoluta despesrança para com a política, pena que não é tão fácil de se memorizar quanto aquela atribuída a Keynes: "No longo prazo, estaremos todos mortos"

Nossa sociedade chegou a tal nível de degeneração que não pode ser revertido por mudanças pontuais, antes é necessário uma mudança radical. E mudanças radicais levam tempo para serem gestadas e sobretudo para produzirem seus resultados. 

De que vale engajar-se em uma causa política que pode não produzir resultado algum, ou pior até produzir, mas você estar velho demais para beneficiar-se dela.  Está disposto a gastar sua vida para cultivar um futuro que não pode acariciar?

A pestilência deste nosso tempo é intolerável, contudo não viveremos o suficiente para ver um mundo melhor.

Isso pode soar um tanto quanto depressivo para aqueles que não tem esperança nos céus, mas para quem tem fé isso pode ser libertador. Nos liberta de certos "compromissos" para com esta era, certa agitação infértil conduzida no sentido de tentar mudar o mundo.  E assim temos tempo para dedicar-nos a religião. E se necessário acalentar nossa alma com a boa arte.

A busca ensandecida por manipular o curso da história e construir um futuro, leva a instrumentalização da religião e da arte, tudo é politizado, tudo é corrompido para servir à revolução. Mas quando se desvanece a esperança desse futuro, então, há espaço para que a arte e a religião resplandeçam com toda a sua beleza dramática e sua alva pureza.

[1] DI LAMPEDUSA, Giuseppe Tomasi. O Leopardo; p. 37 .


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O Não-Trabalho e o Futuro do Trabalho

sábado, 21 de dezembro de 2024

E disse em seguida ao homem: Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido de comer, maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o teu pão com o suor de teu rosto, até que voltes à terra de que fostes tirado, porque és pó, e pó te hás de tornar. (Gn 3, 17-19
 
Especular sobre o futuro do trabalho desde as periferias do terceiro mundo é fazê-lo de uma perspectiva não muito favorável, não é aqui que se constrói o futuro, antes o contrário, o país está cada vez mais assustado e hostil às novas tecnologias, tentando inutilmente desacelerar a corrida tecnológica. Contudo, se o cyberpunk se define desde o paradgima high tech/low life, talvez tenhamos certas vantagens competitivas em relação ao primeiro mundo, poucas nações estão tão despreparadas para as mudanças do porvir quanto a nossa.

Em Piratas de Dados de Bruce Sterling, atua em Singapura o Movimento Anti-Trabalhista. Com a acelerada mecanização, cada vez mais os antigos postos de trabalho foram tomados pelas máquinas. Os sindicatos passaram a reagir, incialmente, com a tradicional retórica ludista: "-Há de proteger os postos de trabalho, guerra ás máquinas!"; contudo, uma vez perdida a guerra, eles se transmutaram em seu exato oposto. Se as máquinas podem por si mesmo sustentar a economia, por que deveria o homem trabalhar? Assim se criou um movimento de vagabundos, defendendo o "direito" ao ócio. Ócio este obviamente custeado por outrem...

Hoje ainda não existe algo como um movimento anti-trabalhista, mas o desejo de libertar-se do trabalho, ou ao menos do trabalho tradicional, está presente na cultura global. Há, desde a edificação do estado de bem estar social, uma crescente massa de indivíduos recebendo esmola governamental, vivendo de benefícios sociais, em nosso país essa massa é cada vez mais numerosa. Se recebe dinheiro por não ter dinheiro, se recebe dinheiro por ter filhos, se recebe dinheiro por.... estudar. Tudo custeado pelo contribuinte, o trabalhador sustentando aquele que não trabalha através de um perverso mecanismo político.
"O Brasil tem 220 milhões de habitantes. 100 milhões recebem benefícios, 50 milhões são idosos ou jovens e os outros 50 milhões que trabalham para sustentar a base. A conta não fecha." (1)
Mas, não são apenas os pobres que almejam viver sem trabalho, também os ricos. O sistema financeiro apresenta toda uma complexidade lovecraftiana, prometendo aos investidores formas de maximizar seu patrimônio sem ter de por a mão na massa. Desde estratégias de investimentos de longo prazo a mecanismos especulativos de curto prazo como o day trade, até a tecnologia nascente das criptomoedas. E para aqueles que desejem um jogo mais bem desenhado, temos ascensão dos bets, cassinos virtuais e mercados de apostas pocketizados, tudo na tela do celular.

Existe ainda outra opção, ainda que não seja uma promessa de não trabalho, ao menos libertaria o individuo da figura do capataz, daquele infeliz que o submeteria a uma estrutura de submissão, de metas e horários fixos. A gigaeconomia ofereceria ao indivíduo maior flexibilidade, ele poderia fazer seu próprio horário, teria maior autonomia. Nessa economia de bicos por aplicativo, qualquer um poderia obter uma renda extra com Uber, como entregador do iFood ou alugar seu quarto no Airbnb. Acontece que, aqui no terceiro mundo, a gigaeconomia devorou a economia oficial. O Uber deixou de ser um bico para tornar-se uma profissão, levando a um fenômeno de precarização. Basicamente o sujeito perde um emprego formal com certas garantias legais e passa a prover o sustento de sua família através desses aplicativos, sujeito a uma série de incertezas e sem amparo algum. Ao fim, muitos passam a sentir nostalgia pelas cebolas do Egito...

Sem mencionar a economia de influência, onde IP's se digladiam na internet em busca de audiência. Como palhaços de circo, vale tudo para atrair a atenção, e tentar convertê-la em fonte de renda.

Como pretérito sonho da geração passada de se obter fortuna como cantor sertanejo ou jogador de futebol, essas novas formas econômicas oferecem de fato oportunidades incríveis e algumas vezes cumprem suas promessas. Quanta gente não ficou rico com criptomoedas ou acertou a mão vendendo cursos no Instagram? E aí está uma grande fonte de revolta por parte dos guardiões do status quo. Havia toda uma complexa engenharia social construída para recompensar aqueles que eram leais ao sistema e punir os dissidentes, havia um level desining planejado para dar a vitória a certos atores, como o jogo entre Alice e a Rainha de Copas. Bom, as pessoas não querem mais jogar este jogo, antes estão tentando outras formas de diversão...

O trabalho fora o castigo imposto por Deus ao homem. Adão pecou, você pecou, eu também pequei, então a vida não é só assistir anime, andar de bike e jogar videogame. Ao fim e ao cabo, temos de trabalhar. Mas é como se não pudéssemos negociar um contrato mais vantajoso. Sim, em última instância o trabalho é um contrato, vendemos nosso tempo em troca de certa remuneração financeira... O objetivo deste ensaio não é manifestar um juízo moralista inútil, mas tão somente demarcar certos elementos do cenário. E de certo modo, convidar o leitor a testar e explorar tais elementos.

Talvez eu volte ao assunto em textos futuros.

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